O Tempo Certo de Ser Você

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Desenvolvimento pessoal & profissional

O Tempo Certo de Ser Você

Uma jornada por cada etapa da vida da mulher, da construção da identidade à reinvenção na menopausa.

Capítulo 1

A ESCOLHA QUE NINGUÉM VÊ

"Abrir mão de uma carreira não é desistir de si mesma. Às vezes é a primeira vez que você escolhe, de verdade, o que quer proteger."

A SALA DE AULA, ANTES DE TUDO

Eu tinha dezessete anos quando peguei o giz pela primeira vez, numa sala pequena cheia de crianças que mal me alcançavam a cintura. Ninguém perguntou se eu estava pronta. Eu também não perguntei. Só entrei.

Foi ali, ensinando criança a escrever, que plantei sem saber a primeira semente de algo que hoje entendo como missão de vida: cuidar do jeito como as pessoas se descobrem.

O DIA EM QUE TUDO MUDOU DE DIREÇÃO

Anos depois, um assunto da família chegou até mim de um jeito que não podia esperar. Não teve cena de filme, com música de fundo e decisão dramática. Teve um dia comum que, sem avisar, virou o dia em que eu comecei a me afastar de uma carreira que estava só começando a engrenar.

Ninguém aplaudiu. Não teve festa de despedida, nem discurso de coragem. Foi uma escolha silenciosa, tomada sozinha, do jeito que a maioria das escolhas de mulher costuma ser tomada.

O QUE EU NÃO DISSE PRA NINGUÉM NAQUELA ÉPOCA

Vou ser honesta aqui, porque não faz sentido escrever um livro sobre verdade e esconder a minha. Eu senti raiva. Raiva de precisar escolher enquanto parecia que ninguém mais ao meu redor precisava. E, logo atrás da raiva, veio a culpa de sentir raiva de uma escolha que eu mesma tinha feito por amor.

Sorria quando perguntavam como eu estava, dizia que estava tudo bem. E era, na maior parte. Mas existia também esse outro sentimento, mais difícil, morando bem debaixo do "está tudo bem", e levei anos pra ter coragem de olhar pra ele de frente.

DUAS DÉCADAS DEPOIS, DIANTE DE UM COMPUTADOR

Aos quarenta anos, numa noite qualquer, depois que todo mundo já tinha dormido, eu abri o computador pra fazer minha matrícula na faculdade. Vi o nome de colegas de turma bem mais jovens que eu no fórum online, e pensei: será que ainda dá tempo?

Não tinha ninguém do meu lado pra responder aquilo. Cliquei em confirmar antes que o medo tivesse chance de mudar de ideia por mim.

O QUE FICOU ENTRE UMA ESCOLHA E OUTRA

Entre a menina de dezessete que ensinou uma criança a escrever, e a mulher de quarenta que voltou pra sala de aula do outro lado da tela, tem uma vida inteira que ninguém vê de fora. Mudança de cidade, negócio fechado às pressas, noite em claro com filho doente. Uma versão de mim que ficou esperando, guardada, sem saber se um dia teria vez de voltar.

Estou escrevendo estas páginas ainda no meio da própria travessia, com o corpo mudando na perimenopausa enquanto escrevo, com um luto ainda recente pesando em capítulos mais à frente. Não escrevo de cima, de quem já resolveu tudo. Escrevo de dentro, junto com você.

A DIFERENÇA ENTRE DESISTIR E ADIAR

Uma confusão que carreguei por anos foi achar que adiar um sonho era o mesmo que desistir dele. Não é. Desistir fecha a porta de vez. Adiar deixa a porta encostada, sabendo que vai levar tempo, mas que ela continua ali.

Quando abri mão daquela carreira, eu não sabia se estava desistindo ou só adiando. Só décadas depois, diante da tela de matrícula, entendi que tinha sido a segunda opção o tempo todo. A porta tinha ficado encostada quase vinte anos, e nunca fechou de verdade.

🔑 UM CAMINHO PRÁTICO

Pense numa escolha que você fez por alguém, e que ninguém nunca reconheceu o tamanho dela. Não escreva só o que essa escolha custou. Escreva também o que você sentiu de verdade na época, mesmo que fosse raiva, mesmo que fosse alívio, mesmo que fosse as duas coisas ao mesmo tempo.

Se hoje você sente que está diante do seu próprio computador ligado de madrugada, dê um passo pequeno concreto ainda essa semana, do tamanho de clicar em confirmar. Não precisa ser o passo grande.

Reflexão de vida

Qual foi a última vez que você sentiu raiva de uma escolha que fez por amor? O que aconteceria se você permitisse essa raiva existir, sem trocá-la imediatamente por culpa?

Suas anotações neste capítulo

Capítulo 2

CONSTRUIR IDENTIDADE ANTES DE SABER QUEM SE É

"Aos vinte anos, a gente confunde pressa com direção. Achamos que precisa saber tudo agora, quando na verdade só precisa começar a caminhar."

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Capítulo 3

A ESCOLHA INVISÍVEL

"O amor que exige que a mulher desapareça não é amor, é conta que ninguém cobra dela mesma."

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Capítulo 4

RECOMEÇAR DEPOIS DOS QUARENTA

"Coragem não é a ausência do medo de recomeçar. É recomeçar mesmo sabendo que o relógio vai continuar correndo de qualquer jeito."

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Capítulo 5

MATERNIDADE SEM SE APAGAR

"Ser mãe não é um cargo que substitui quem você era. É uma camada nova, construída em cima de tudo que você já é."

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Capítulo 6

O CORPO MUDA, E NINGUÉM AVISA

"Ninguém te prepara pra perimenopausa porque quase ninguém fala sobre ela em voz alta. E o silêncio é o que mais dói nessa fase."

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Capítulo 7

O LUTO QUE TAMBÉM É PARTE DA VIDA

"Existe o luto que a gente chora em voz alta, e existe o luto que a gente carrega em silêncio, sem nem saber que tem nome. Os dois merecem ser sentidos."

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Capítulo 8

PERIMENOPAUSA E CARREIRA

"Sustentar uma carreira em meio à perimenopausa não é falta de competência. É competência sendo exercida em condições que ninguém te ensinou a lidar."

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Capítulo 9

MENOPAUSA COMO REINVENÇÃO, NÃO FIM

"Chamam de fim porque nunca aprenderam a chamar de início. A menopausa fecha um ciclo biológico, não fecha quem você é."

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Capítulo 10

DEPOIS DOS CINQUENTA, SABEDORIA QUE VIRA PROPÓSITO

"Ninguém chega aos cinquenta sabendo tudo. Chega sabendo o suficiente pra parar de fingir que sabia antes."

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Capítulo 11

A MULHER QUE CARREGA TODAS AS FASES AO MESMO TEMPO

"Você não é só quem é hoje. Você é também a menina que teve coragem aos vinte, a mulher que se doou na maternidade, e a mulher madura que ainda está aprendendo a se reinventar."

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